Diagnóstico Estratégico do Ciclo 2020/21–2025/26
e o Que o Produtor Precisa
Fazer Agora
Por Felipe Di Benedetto Jr.
- A Narrativa Correta: O Problema Não Começa em 2025
A crise que se consolida na safra 2025/26 não é consequência isolada de preço baixo ou crédito restrito. Ela é o resultado acumulado de decisões tomadas durante o ciclo excepcional de 2020/21.
Entre 2020 e 2022 o produtor experimentou:
- Margens historicamente elevadas
- Forte geração de caixa
- Crédito abundante
- Expansão patrimonial acelerada
O setor internalizou aquele cenário como estrutural. Não era.
O que se seguiu foi um ciclo clássico de alavancagem apoiada em preço excepcional.
- O Ciclo em Seis Safras: Onde a Estrutura Quebrou
🟢 2020/21 – O Ano da Euforia
- Rentabilidade: 82%
- 33,5 sacas para cobrir custos
- Preço médio: R$ 146/sc
- Produtividade: 61 sc/ha
Essa safra mudou a percepção de risco.
O produtor expandiu:
- Área
- Parque de máquinas
- Arrendamentos
- Estrutura operacional
O caixa gerado sustentou crescimento patrimonial e aumento do passivo.
O erro não foi investir.
Foi investir considerando aquele preço como novo normal.
🟡 2021/22 – O Custo Sobe, Mas o Preço Esconde
- Custos sobem 36%
- Preço atinge R$ 163/sc
- Crédito de investimento cresce 26%
O custo por hectare muda de patamar estrutural.
Mas como o preço estava alto, o produtor não percebeu o deslocamento do break-even.
Aqui nasce a fragilidade:
Mais dívida.
Mais estrutura fixa.
Maior ponto de equilíbrio.
🟡 2022/23 – A Margem Começa a Comprimir
- Preço recua
- 43,7 sacas passam a ser necessárias para cobrir custos
- Rentabilidade cai para 49%
O alerta estava claro:
O produtor passou a precisar de quase 10 sacas adicionais apenas para empatar, comparado a 2020/21.
Mesmo assim, o investimento continuou.
A alavancagem cresceu enquanto a margem diminuía.
🔴 2023/24 – A Ruptura
- Preço despenca
- Produtividade cai
- Rentabilidade desaba para 9%
- 53 sacas necessárias para cobrir custos
Aqui ocorre o descasamento crítico:
Receita cai.
Custo permanece elevado.
Dívida permanece integral.
O fluxo de caixa passa a não cobrir o serviço da dívida.
Surge a inadimplência estrutural.
🟠 2024/25 – Produção Recorde Não Resolve
Produtividade recorde melhora o resultado operacional.
Mas:
- O preço permanece comprimido
- O custo não retorna
- O crédito retrai
A margem melhora, mas não compensa o passivo acumulado.
🔴 2025/26 – Configuração de Risco Sistêmico
- Preço em R$ 110/sc
- Custo em sacas no maior nível da série
- Rentabilidade apenas 24%
- Crédito restrito
A combinação é perigosa:
Preço baixo
Custo alto
Produtor alavancado
Banco conservador
Este é o ambiente clássico de consolidação de crise.
- O Diagnóstico Real
A crise atual é financeira.
Não é crise de tecnologia.
Não é crise de produtividade.
Não é crise de eficiência.
É crise de estrutura de capital.
O produtor médio hoje tem:
- Maior endividamento
- Maior custo fixo
- Menor margem estrutural
- Menor acesso a crédito
Essa combinação fragiliza o sistema.
- O Que o Produtor Precisa Fazer Agora
1️⃣ Recalcular o Break-Even Real
Não usar o preço de pico como referência.
Calcular:
- Custo total por hectare (operacional + financeiro)
- Ponto de equilíbrio em sacas
- Capacidade real de pagamento
Decisão estratégica começa por diagnóstico correto.
2️⃣ Separar Dívida Estrutural de Dívida Operacional
Dívida de investimento não pode ser paga com fluxo de custeio comprimido.
É necessário:
- Alongar
- Reestruturar
- Negociar garantias
- Readequar cronograma
3️⃣ Preservar Liquidez
Liquidez é mais importante que expansão.
Prioridades:
- Reduzir CAPEX
- Evitar novos financiamentos estruturais
- Manter caixa para atravessar ciclos
4️⃣ Não Tomar Decisão Emocional
Venda precipitada de patrimônio, renegociações apressadas e aditivos mal estruturados podem consolidar prejuízos irreversíveis.
Momento exige estratégia, não desespero.
- O Que Pode Acontecer no Setor
Se o ciclo permanecer:
- Consolidação fundiária
- Aumento de recuperações judiciais
- Alongamentos judicializados
- Reprecificação permanente do risco agrícola
Produtores capitalizados sobreviverão.
Produtores excessivamente alavancados precisarão reestruturar.
8. Conclusão:
6. Conclusão Estratégica
A crise de 2025/26 não é um acidente.
É o desfecho lógico de decisões tomadas durante a euforia de 2020/21.
O erro não foi crescer.
Foi crescer assumindo que o ciclo excepcional era permanente.
Agora, a prioridade não é expandir.
É proteger patrimônio, reorganizar passivo e reconstruir margem estrutural.
Quem agir estrategicamente atravessará o ciclo.
Quem negar a realidade pode perder a estrutura construída em anos.
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